O cartão de crédito faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros, mas ainda é cercado por concepções errôneas e receios. Para usar esse recurso de forma inteligente, é fundamental separar opinião de fato e entender o cenário atual do setor.
O Brasil está entre os países com maior penetração de cartões de crédito no mundo. Hoje, existem 200 milhões de cartões ativos, quase o dobro da população economicamente ativa. Em 2024, o volume movimentado chegou a R$ 2,8 trilhões, um crescimento de 14,6% comparado ao ano anterior.
O cartão de crédito representa 65,8% do valor transacionado por meios eletrônicos e registra média de uso semanal por 41,7% dos consumidores. Além disso, 69% dos brasileiros optam pelo parcelamento, com 41% das operações sem juros.
Esse mito nasce da relação entre endividamento e juros altos no rotativo. Na verdade, o cartão pode ser um aliado se usado com planejamento. Ferramentas de controle e pagamentos em dia evitam que a dívida cresça de forma descontrolada.
Dados apontam que cerca de 17% a 20% dos usuários permanecem no rotativo, a modalidade mais cara. A conscientização sobre as taxas e a suspensão imediata do rotativo ao surgir saldo devedor são medidas-chave para uso saudável.
Com a expansão de bancos digitais, o acesso ao cartão de crédito se democratizou. Milhões de brasileiros tiveram seu primeiro plástico nos últimos anos, aumentando a inclusão financeira no país.
Além disso, diversas fintechs oferecem cartões sem anuidade e com limites iniciais modestos, aproximando o produto de quem antes não tinha acesso a nenhuma forma de crédito.
Mesmo quando as faturas fecham dentro do limite, o parcelamento pode gerar dívidas se o consumidor perder o controle. Cerca de 52% das pessoas não monitoram gastos parcelados, o que torna o cartão uma potencial armadilha.
Por isso, é crucial verificar o extrato com frequência e ter um planejamento financeiro que inclua todas as parcelas futuras.
Embora seja comum ofertar até 12 parcelas sem juros, esse benefício pode camuflar o aumento de compromissos mensais. Muitos consumidores acabam acumulando várias compras parceladas e se surpreendem com o impacto no orçamento.
Uma dica essencial é calcular o total comprometido em cada fechamento da fatura e manter sob controle o volume de parcelas simultâneas.
É verdade que o rotativo apresenta uma das maiores taxas do mercado, mas nem toda operação de crédito carrega juros elevados. Muitas compras parceladas são oferecidas sem encargos, e o uso programado do limite pode ser econômico.
Conhecer as condições de cada transação e negociar descontos ou prazos com estabelecimentos ajuda a reduzir custos.
No entanto, 45% dos usuários já enfrentaram tentativas de fraude, sendo 53% em compras online. Ainda assim, mecanismos de proteção, bloqueio imediato e ressarcimento trazem segurança comparável a outros métodos de pagamento.
O uso de cartões virtuais e autenticação em duas etapas são exemplos de recursos que reforçam a proteção contra fraudes e golpes.
Desmistificar o uso do cartão de crédito é essencial para garantir saúde financeira. Conhecer números, enquadrar as operações dentro do orçamento e adotar práticas de segurança fazem toda a diferença.
O mercado brasileiro evolui constantemente, com tecnologias como contactless e soluções de bancos digitais que ampliam a inclusão. À medida que o consumidor se informa, o cartão deixa de ser um risco e se torna uma ferramenta poderosa para gestão de recursos e conquistas pessoais.
Referências