O empréstimo rotativo é uma forma de crédito que pode ser tanto uma tábua de salvação em momentos de aperto quanto uma armadilha financeira se não for usado com cautela. Muitas pessoas recorrem a essa modalidade sem conhecer a fundo seu funcionamento, correndo o risco de enfrentar taxas de juros significativamente maiores do que em outras operações de crédito. Neste artigo, você encontrará informações essenciais para compreender esse produto, seus riscos e as melhores estratégias para evitá-los.
O crédito rotativo consiste em um limite de crédito pré-aprovado por uma instituição financeira, liberado para uso conforme a necessidade do cliente. Diferente de um empréstimo pessoal tradicional, ele não tem parcelas fixas: você paga juros apenas sobre o valor efetivamente utilizado.
Funciona assim: ao acessar seu limite, seja por conta corrente, poupança ou cartão de crédito, você passa a ter uma dívida com a instituição. Quando realiza o pagamento mínimo ou qualquer valor parcial, o saldo devedor é amortizado e, simultaneamente, o limite é recriado, podendo ser reutilizado sempre que necessário.
No caso do cartão de crédito, o rotativo ocorre quando o usuário paga apenas o valor mínimo da fatura, transferindo o saldo restante para o próximo mês e acumulando juros elevados. Essa característica faz com que o crédito rotativo seja um instrumento de fácil acesso, mas potencialmente perigoso.
Embora muitos apontem apenas as desvantagens, existem situações em que o crédito rotativo traz benefícios importantes:
Apesar das vantagens, o crédito rotativo tem contrapartidas que podem levar ao endividamento severo:
Para ilustrar melhor, vejamos dois cenários comuns no mercado brasileiro:
Exemplo 1: João tem um limite rotativo de R$ 10.000 e utiliza R$ 4.000 para um conserto de emergência. Ele paga o valor total na próxima fatura e, automaticamente, recupera o limite integral de R$ 10.000 para uso futuro.
Exemplo 2 (cartão de crédito): Maria paga apenas o valor mínimo de R$ 200 da fatura de R$ 1.000. Os R$ 800 restantes entram no crédito rotativo, recebendo taxa de até 15% ao mês. Ao final de um semestre, o débito pode ultrapassar o valor inicial em razão dos juros compostos.
Para usar o crédito rotativo de forma mais inteligente, siga estas orientações:
Planejamento financeiro é fundamental. Estabeleça um orçamento mensal, identifique gastos supérfluos e direcione recursos para quitar o rotativo rapidamente.
Prefira pagamentos antecipados. Sempre que tiver folga de caixa, antecipe parcelas ou amortize o principal para reduzir a base de cálculo dos juros.
Utilização criteriosa do limite. Reserve o rotativo para situações realmente urgentes ou para investimentos de retorno rápido, evitando tratar o crédito como extensão do salário.
Embora deva ser evitado no dia a dia, o crédito rotativo pode ser útil em:
Emergências médicas ou reparos urgentes que não podem aguardar liberação de outro empréstimo, garantindo acesso instantâneo ao valor necessário.
Oportunidades de investimento de curto prazo que se paguem antes do vencimento da fatura, como compra de mercadorias com desconto para revenda.
O crédito rotativo pode ser uma ferramenta valiosa em momentos de aperto, mas exige disciplina e conhecimento. Nunca encare esse recurso como um complemento de renda e evite prolongar o pagamento além do próximo vencimento.
Monitore suas faturas, consistência nos pagamentos e busque sempre alternativas mais baratas assim que identificar a necessidade de crédito.
Em caso de dúvidas ou dificuldades, procure orientação de um profissional de finanças ou utilize simuladores de empréstimo para comparar taxas e escolher a melhor opção para o seu perfil.
Referências