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Desmistificando o Custo Efetivo Total (CET) do Empréstimo

Desmistificando o Custo Efetivo Total (CET) do Empréstimo

27/12/2025 - 10:18
Fabio Henrique
Desmistificando o Custo Efetivo Total (CET) do Empréstimo

Quando buscamos um empréstimo, enxergar apenas a taxa de juros pode gerar surpresas desagradáveis. O Custo Efetivo Total (CET) existe para revelar o custo real de uma operação de crédito e proteger o consumidor de encargos escondidos.

O que é o Custo Efetivo Total?

O CET é um indicador em formato percentual que integra todos os gastos de uma operação de crédito. Diferente da taxa nominal, ele considera não só os juros, mas também tarifas, seguros e tributos.

  • Juros nominais e efetivos
  • Tarifas bancárias (abertura e administração)
  • Seguros obrigatórios e opcionais
  • Impostos, como IOF
  • Demais encargos operacionais

Para que serve o CET e por que ele existe

A principal função do CET é garantir transparência e proteção do consumidor. Desde 2008, instituições financeiras devem informar esse indicador antes de qualquer contratação e sempre que solicitado.

Regulamentado pela Resolução CMN nº 4.881/2020, o CET evita que operações pareçam mais atrativas apenas pela menor taxa de juros, escondendo custos adicionais.

Como o CET é apresentado e calculado

O CET costuma ser expresso em base anual (a.a.), mas também pode aparecer em termos mensais (a.m.), de acordo com o contrato. Deve estar claro no documento, em propostas, simuladores e canais digitais oficiais.

O cálculo se assemelha ao de uma Taxa Interna de Retorno: iguala o valor liberado ao somatório dos fluxos futuros de pagamento, descontados à taxa CET. Trata-se de um processo complexo, que exige automação.

Variáveis envolvidas incluem:

  • Valor efetivamente recebido pelo cliente
  • Valor e data de cada parcela e encargo
  • Prazo total do contrato, em dias

Para facilitar, utilize simuladores online para cálculos precisos, como os do Banco Central e Procon-SP.

Comparação: Taxa de Juros x CET

Como usar o CET para comparar ofertas

Para tomar decisões mais acertadas, siga estas orientações:

  • Direito ao consumidor à informação: exija o CET antes de assinar qualquer contrato.
  • Peça a planilha ou detalhamento de custos à instituição.
  • Faça simulações com o mesmo valor e prazo em diferentes bancos.
  • Compare sempre pelo CET, não apenas pela taxa de juros anunciada.

Dicas para proteger seu bolso

Ao analisar uma oferta de crédito, atente-se aos seguintes pontos:

  • Desconfie de quem dificulta o acesso aos valores do CET.
  • Se o CET estiver muito acima da média de mercado, pode haver cobranças não informadas e abusivas.
  • Consulte as médias de mercado no site do Banco Central antes de assinar.
  • Faça um planejamento financeiro e controle rigoroso das parcelas mensais.

Casos práticos e exemplos reais

Imagine dois bancos oferecendo R$ 20.000 em 36 meses:

- Banco A: juros de 1,10% a.m. e CET de 1,80% a.m. (inclui seguro e taxa de avaliação).

- Banco B: juros de 1,30% a.m. e CET de 1,31% a.m. (sem taxas extras).

Embora o Banco A aparente ser mais atraente pelos juros, o Banco B apresenta impacto real no seu orçamento mensal menor devido a custos adicionais mais baixos.

Ferramentas úteis para cálculo e comparação

Para não errar na escolha, conheça estas opções:

  • Calculadora do Cidadão do Banco Central.
  • Simulador de crédito do Procon-SP.
  • Plataformas de fintechs e bancos que oferecem simuladores próprios.

Regulação, direitos e formas de contestação

O CET deve estar sempre informado em propostas, contratos e demonstrativos. Caso identifique cobranças não informadas e abusivas, o consumidor pode recorrer ao Procon ou ao Judiciário para contestar valores.

Além disso, é possível solicitar portabilidade de crédito para instituições que ofereçam um CET mais competitivo.

Termos relacionados e conceitos importantes

Vale entender também:

  • Diferença entre taxa nominal e efetiva;
  • IOF e seu impacto no CET;
  • Seguro prestamista e seguros vinculados;
  • Portabilidade de crédito como ferramenta de economia.

Números de referência no mercado

Confira algumas médias atuais para ter parâmetros realistas:

- Empréstimos pessoais: CET médio de 5% a 12% ao mês.

- Crédito consignado: CET entre 1,5% e 3% ao mês.

- Financiamento imobiliário: CET anual típico de 8% a 16%, considerando seguros e taxas.

Considerações finais

Desvendar o CET é essencial para tomar decisões financeiras conscientes e evitar surpresas. Ao exigir o indicador, comparar ofertas e planejar cada parcela, você garante maior segurança e saúde financeira. Com informação, evitar cobranças não informadas e abusivas torna-se uma realidade acessível a todos.

Fabio Henrique

Sobre o Autor: Fabio Henrique

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